Vinte e cinco de Fevereiro no País Basco, estão 25 ºC à hora do almoço, um tempo de ficção científica. A macieira está em flor, tal como a camélia, e a região está a rebentar de mimosas, replantadas com sucesso após a grande onda de frio de 1986 que as havia extinguido — eu tinha dezassete anos e andava de trenó debaixo da casa.
Originalmente, na Idade Média, um livro de horas era um livro de tradição católica para acompanhar os rituais litúrgicos associados às horas, com orações, salmos e imagens. Hoje, a imprensa, os diversos meios de comunicação e as redes sociais contabilizam os ataques e as mortes; são o eco do ruído e da fúria do mundo, sem que seja preciso acrescentar mais nada aqui. O mundo explode regularmente em alguns lugares, e, como muitos habitantes desta Terra, absorvo várias vezes por dia a minha dose de clarões alaranjados e de estrondo nos meus meios de eleição. Por enquanto, as notícias não me fazem saltar da cadeira para procurar abrigo o mais rapidamente possível, como acontece com outros escritores noutros países, por isso, considero-me privilegiada. No País Basco, onde nasci, a calma é tão ensurdecedora que os meus vizinhos ficam surpreendidos por eu voltar para Paris, «para todo aquele stress» — mas eu adoro Paris, adoro o seu ritmo, adoro percorrê-la a passos largos. Viver numa cidade tão bela e agitada é, por si só, uma ocupação. Também adoro Paris porque posso sair de lá com frequência.


![Berenice Abbott Portrait of the Artist as a Young Woman [Retrato da artista enquanto jovem], negativo c. 1930 / impressão c. 1950](/sites/fedpelectra/files/styles/a/public/2026-07/scala_A474457.jpg?itok=UPZc1b69)
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